Caos nos aeroportos: entenda o que está causando dias de espera para voos na Europa | Turismo e Viagem

 

Aeroportos pela Europa e nos Estados Unidos têm registrado atrasos, cancelamentos e diversos transtornos para os passageiros, que aguardam dias para conseguir embarcar. A situação, que começou com greves entre trabalhadores das companhias aéreas no final de julho, coincide com as férias de verão na região, uma alta temporada para viajar.

Em Portugal, no último sábado (2), o humorista brasileiro Abdías Melo viralizou ao ironizar a longa espera pelo seu voo, dizendo que estava havia 6 dias sem trocar de cueca.

“Eu não tomei banho, tô fedendo. Um absurdo. Meu sovaco está fedendo. E eles não fazem nada. Simplesmente falam assim: ‘vamos resolver’. Aí, botam um voo, dá o cartão de embarque, cancela. Eu só consigo fazer cocô em casa. Eu tô preso, sem fazer cocô”, contou.

De acordo com a mídia portuguesa, no sábado, 65 voos foram cancelados no aeroporto de Lisboa. Na terça-feira (5), o número caiu para cerca de 30 voos.

Além disso, Paris, Madri, Londres, Amsterdã, Alemanha e até os Estados Unidos, na América, também estão enfrentando o mesmo problema, diz o diretor do Fundação Getúlio Vargas (FGV) Transportes, Marcus Quintella.

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Despreparo para a retomada

Existem alguns motivos que levaram ao cenário narrado por Melo, aponta Quintella:

  • retomada das viagens após a paralização da pandemia, que, agora em julho, é impulsionada pelas férias de verão na região;
  • demissão dos profissionais qualificados devido à baixa demanda na pandemia, com lenta recontratação;
  • alta de casos de doenças respiratórias, seja pela própria Covid-19 ou pela gripe, durante o inverno europeu afastou alguns funcionários, que demoraram a retornar ao trabalho;
  • insatisfação da tripulação com alta carga de trabalho, causando as greves por melhores condições e salários mais vantajosos.

O especialista relata que a expectativa para total retomada do setor era apenas em 2024 e não agora, por isso a falta de preparação.

O próprio filho de Quintella foi um dos passageiros que viveram esse problema. Ele voltou de Londres para o Brasil nesta terça-feira (5) após um atraso de cerca de 8 horas do seu voo.

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Vou para a Europa, e agora?

Não há uma previsão de quando o problema será resolvido, diz Quintella.

A tendência é que as companhias aéreas entrem em um acordo com os seus contratados, pois a greve é mais custosa para elas, afirma. As empresas têm que, por exemplo, pagar vouchers de alimentação, dependendo do tempo de espera do passageiro em caso de adiamento, e indenizações que podem ser solicitadas.

Até lá, é importante ir para o aeroporto preparado para horas de espera e para um possível cancelamento do voo. Vale pesquisar hotéis próximos e entender como que eles estão de vagas. Você pode precisar se hospedar.

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Os tripulantes da companhia aérea anunciaram outros 12 dias de greve ao longo do mês de julho na Espanha, no verão europeu — Foto: REUTERS/Jon Nazca

Greves dos tripulantes das companhias aéreas Ryanair e EasyJet começaram em 24 de junho e na sexta-feira (1), respectivamente. Nos seis dias anteriores à greve, mais de 1,2 mil voos foram atrasados ou cancelados.

O sindicato Union Sindical Obrera (USO) afirmou ainda que os funcionários da Ryanair planejaram paralisações em três períodos de quatro dias: de 12 a 15 de julho, de 18 a 21 de julho e de 25 a 28 de julho nos dez aeroportos espanhóis em que a empresa irlandesa opera.

Dezenas de voos foram cancelados no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, onde os bombeiros estão em greve desde quinta-feira (30). As autoridades tiveram de reduzir, por prevenção, o número de pistas, o que afetou 20% dos voos que têm Paris como origem ou destino.

Segundo sites de notícias locais, os trabalhadores devem continuar a greve entre 8 e 10 de julho.

A British Airways disse que vai cancelar 10.300 voos até outubro por falta de funcionários. Devido à pandemia, a empresa cortou cerca de 10 mil vagas. Foi reduzido em 13% seu programa de voos para o verão. Antes da retração, a companhia operava cerca de 850 voos por dia, informa a agência de notícias France Presse.

No final de junho, a Holanda anunciou que irá limitar o número de voos no aeroporto Schiphol de Amsterdã a 440.000, frente à capacidade de 500.000 anterior à pandemia, segundo a France Presse.

Por causa dos longos períodos de espera dos passageiros, a companhia Fraport já recontratou quase mil novos funcionários de serviços terrestres depois de cortar cerca de 4.000 durante a pandemia, disse a agência de notícias Reuters, nesta quarta-feira (6).

Ainda assim, a expectativa da empresa é de que as interrupções devido à falta de trabalhadores continuem pelos próximos dois ou três meses.

No primeiro feriadão do país desde o fim das restrições da pandemia, o da Independência, em 4 de julho, algumas empresas registram atrasos em quase um terço dos voos. Cerca de 50% a mais do que a média de outros meses.

Apesar de os atrasos dos voos serem um problema em crescimento, não há indícios de que o Brasil vá passar pela mesma situação, aponta o diretor da FGV Transportes, Quintella.

Ele explica que o setor no Brasil é bem diferente do da Europa, tendo uma movimentação menor. O país também teve menos demissões durante a pandemia na comparação com as companhias aéreas internacionais, não sofrendo tanto assim com a falta de pessoal atualmente.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado é mais parecido. Ainda assim, ele explica que os cancelamentos e adiamentos dos voos estão mais controlados no país do que na Europa.

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