Repórter narra sua primeira festa junina no Nordeste – 24/06/2022 – Turismo

 

Há algo de diferente no ar de Fortaleza em junho. O clima de São João está espalhado por todo o canto. As bandeirinhas nas ruas, nos bares e restaurantes, nas atrações turísticas e nas casas não deixam esquecer que é um período de festa.

Há duas experiências completamente distintas, portanto. O Nordeste de julho a maio é um. E o Nordeste de junho é outro.

Já na saída do aeroporto, um casal com traje típico junino e uma sanfona recepciona turistas no saguão de desembarque.

No Abaeté Boteco, no bairro Joaquim Távora, local frequentado pela área cultural da cidade, a decoração junina rouba a cena que deveria ser do clima pé na areia em quase toda a extensão do terreno.

O DJ vai até quase meia-noite alternando brasilidades com os maiores sucessos do forró. E ainda nem é a data oficial do santo, só dali a três dias.

No meu destino, o Beach Park, um dos principais parques aquáticos da América Latina, localizado em Aquiraz (CE), a 17 km da capital, os funcionários já avisam: no dia seguinte à noite tem festa de São João. E ainda nem é a data oficial do santo, só dali a dois dias.

A decoração junina sempre chama atenção. Nunca é algo feito com desleixo, mas meticulosamente preparada, com estandartes do santo joanino, bandeirinhas alinhadas, mesa de comes e bebes a mais farta possível, o que inclui canjica, curau, cuscuz, quentão, maçã do amor, pé de moleque, dentre muitos outros quitutes.

Às 19h30, a banda forrozeira já aguarda os turistas no salão de festas a céu aberto do Beach Park para a festa junina.

O mestre de cerimônias é o padre, que vai realizar o grande casamento da noite, de uma mulher “embuchada” com um homem “que fez o que não devia” e agora foge do casório como o diabo da cruz.

O pai e a mãe da garota estão possessos. Até a delegada local é chamada para resolver a situação. O noivo só aparece à força, amarrado. Mais clichê impossível, e nisso reside a graça da encenação.

​E então os homens do recinto são procurados para casar com as moças. “Quem já é casado vai casar de novo e quem não é vai casar agora”, repete, para risada do público. Até um anel de noivado (de plástico) é entregue para todos os presentes.

Uma meia dúzia de casais topa ir até o altar imaginário num casamento coletivo improvisado. Quem é casado de verdade dá um selinho, e quem não é dá um abraço.

A hora da quadrilha é a mais animada. Aqueles que não dançam sofrem um leve bullying do apresentador: “Esse tem cara de bravo”.

Mas ele consegue um quórum muito maior do que o casamento, e as pessoas dançam em duplas numa fila e depois formam círculos, com passos e gritos ensaiados na hora, em meio a braços ocupados com celulares postando vídeos no Instagram e TikTok.

Depois, é a hora de Luiz Gonzaga e o baião brilharem sob o comando da banda.

Quando a noite parece que vai acabar, dois bichos de pelúcia aparecem, para a alegria da criançada, que corre para as fotos. Elas estavam imitando os passos e danças dos adultos e rindo das crises pré-matrimoniais. Uma justa homenagem aos foliões mirins.

Fim de festa antes das 22h. Não teve fogos de artifício, fogueira, barracas e vários outros elementos de uma festa junina. Não fez falta.

O maior São João do mundo não é de Campina Grande (PB) ou de Caruaru (PE). O maior São João do mundo é aquele em que você estiver.

O primeiro São João em uma cidade do Nordeste é uma experiência inesquecível.

O jornalista viajou a convite do Beach Park

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